O VISITANTE
por Rita de Cássia Amorim Andrade
|
||||||
|
O VISITANTE
por Rita de Cássia Amorim Andrade
UM AMIGO DE CURTA DATA E A SOMBRA Mas foi em teu encalço, ó Zaratustra, que mais longamente voei e corri, e se me escondia de ti, era eu, no entanto, tua melhor sombra: onde tu pousaste, pousei eu também. (Nietzsche – Assim [...] Vi a Luz
Vi a luz e ela se formaria e os sentidos ali permaneceriam e me emergiam numa afabilidade gratificante.
Vi a luz e ela se expandiria e os sentidos ali despertariam e me emergiam numa claridade ofuscante
Vi a luz e ela me seduziria e os sentidos ali se entregariam e me emergiam numa sensualidade fulminante
Vi a luz e ela se explodiria e os sentidos ali se mortificariam e me imergiam numa fragilidade debilitante.
Vi a luz e ela me engoliria e os [...] A MÃO Por Rita de Cássia Amorim Andrade
No sombrio final de evento os meus olhos com aquela mão se deparou. Era uma mão magra que se debruçava tensa, sobre a balaustrada. De tal compressão se alongava a falange, salientando o nó de dedos hastis e unhas encravadas. Nó Górdio à espera daquela
METAMORFOSE Por Rita de Cássia Amorim Andrade
Antes era um menor impubescente, Aprisionado numa bolha de sabão, Inerte pelo medo nauseante, Das palavras em borbulhão.
Ante o horror do fogo incandescente, Atochado na fornalha do porão, Imerso na quentura macerante, Das faíscas em turbilhão.
Adormeceu na inconsciência divagante, Adorando as musas pagãs, Das liras dissonantes.
Acordou no calor do fogo faiscante Adoçando bocas malsãs, Das musas diletantes.
CISNE NEGRO Por Rita de Cássia Amorim Andrade
Ó Cisne Negro! Despoja-te desse paletó. Desata o nó da gravata. Veste calças de fibra e uma camisa de longas mangas, em negro. Tremula a seda em tua pele! Semiabre a gola, sem Medalhões pendurados. Usa uma corrente cintilante, em ouro! Pequena medalha de figura indeterminada, ou um coração! Não esqueças os sapatos pretos, sociais. Ó Cisne Negro! Aqueles sapatos sempre a te marcarem! Caneta cinza, desliza-a na página em [...]
O VAMPIRO
Por Rita de Cássia Amorim Andrade
Ele as conhecia. Todas.
(INDRISO) APAIXONANDO Por Rita de Cássia Amorim Andrade
Príncipe encantado procura a bela. Corre pela mata, encontra-a inerte. Desperta-a com um ósculo.
Perde-se no leito armado. Queda-se apaixonado. E adormece.
Os papeis se invertem.
É a sina da paixão: cega.
ELA e ela
Rita de Cássia Amorim Andrade
Na mais cálida e mágica vida, ela vagueia álacre, casta. Na afamada e afagada vida, pelo regalo Placidus Plácita.
Na mais dura e crua vida, Ela ruma muda, Nua. Na agrura e aguda vida Pelo estupro Brutus Pungida.
Rita de Cássia Amorim Andrade Mãos que dedilham sonhos. No teu toque a promessa do amanhecer a um novo ser que vem brotando da tua Musa de quem umedeceste o ventre.
Rita de Cássia Amorim Andrade
Havia um pergaminho E havia um bico-de-pena
Havia uma prosaísta E havia uma profetisa
Havia um poeta E havia um poema
“Na mitologia grega, Clytie era uma ninfa que caíra desesperadamente por amor ao deus do sol, Apollo. Assistia-o em sua jornada diariamente, de leste a oeste, mas seu amor nunca foi correspondido. Apollo transformou Clytie de uma ninfa da água em um girassol, porém sua devoção resistiu a essa transformação, procurando-o [...] |
||||||
|
Copyright © 2010 Ritissima - All Rights Reserved |
||||||