DESILUSÕES – por MARIANA BIZINOTTO (Textos de Amigos)

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Desilusões

                         Mariana Bizinoto

Por que temer a verdade?

O óbvio e o sonho?

Por que temer a realização?

Talvez o medo seja na verdade

pela desilusão.

Temendo ser desiludida,

velei meus sentidos

e desejos.

Ocultei meus sonhos e anseios.

E caminhando por caminhos incertos

desiludi-me muito mais

do que pelo caminho que aspirava seguir.

Encontrar o caminho certo

é uma coisa,

decidir por seguir nele,

é outra –

e esta eu não estava disposta

a entender assim.

Por isso dei-me motivos

para que o caminho não fosse aquele.

Depois de voltas e curvas vãs,

decepções e desilusões,

que machucaram-me como espinhos,

deparei-me outra vez

com a porta de entrada

do caminho que me atraía.

Arriscar é uma palavra

bastante incomum em meu vocabulário,

apesar de requerida por circundantes.

E dessa vez ela não foi necessária.

O fenômeno se deu de uma outra forma.

Foi preciso permitir-me viver o instante

e caminhar simplesmente.

As longas curvas mortas ficaram

à deriva do passado,

onde nem as lembranças fazem questão de ir.

Agora o tobogã,

surpreendente,

esfria a barriga

e guarda um novo

sempre por vir.

 

Desilusoes_-_Mariana_Bizinotto

Mariana Borges Bizinotto é poetisa. Participa de periódicos culturais, tem uma coluna no site Página Cultural. Participou de antologias literárias como Elas escrevem (2010); Universo Paulistano II (2009); II Prêmio Literário A Gazeta (2005). Também foi contemplada em alguns concursos literários pelo país.

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